Marina Silva e Guilherme Leal
(Do iG/Clarissa Oliveira)
A senadora Marina Silva, pré-candidata do PV ao Palácio do Planalto, minimizou hoje o favoritismo dos presidenciáveis do PSDB, José Serra, e do PT, Dilma Rousseff. A ex-ministra disse que sente um grande reconhecimento do eleitorado diante de suas ideias e propostas, por isso, acredita ser possível converter os simpatizantes em adeptos de sua candidatura. "Acho que o cidadão tem mais liberdade de transformar respeito em atitude prática", afirmou Marina, em entrevista concedida ao iG na manhã de hoje.
Acompanhada do empresário Guilherme Leal, que aceitou ocupar o posto de vice na chapa do PV, Marina também se disse confiante na capacidade de atrair apoios. "Acho que o empresariado de vanguarda já está inteiramente aliançado", afirmou. "Sinto um grande acolhimento e um grande respeito pelas ideias que nós estamos defendendo", emendou.
Na conversa com o iG, Marina falou sobre as resistências que enfrentou no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2008, a senadora optou por deixar o posto de ministra do Meio Ambiente em meio a pressões para que agilizasse o licenciamento ambiental de projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), gerenciado na época por Dilma, que comandava a Casa Civil do governo. "Meu princípio era licenciar os empreendimentos de forma correta, e foram licenciados os mais difíceis".
Marina insistiu que não se pode fazer uma "homogeneização" do governo. Mas defendeu: "Não adianta querer mudar o teste, temos que passar no teste". Dizendo considerar que a emissão de licenças ocorreu sim de forma ágil, ela repetiu a frase dita na época em que deixou o governo. "É como eu disse. Perco o pescoço mas não perco o juízo. Porque depois a sociedade vai cobrar e vai cobrar caro."
Marina garantiu que não deixará a pressão política se sobrepor aos pontos que considera fundamentais na condução do governo, caso venha a se eleger presidente em outubro. "Isso não é republicano. Alguém quer sorfrer pressão política quando precisa de um transplante de coração para fazer um transplante de rim?"
Fisiologismo
A senadora prometeu combater o fisiologismo que guia partidos e parlamentares no País. Admitindo que o problema existe inclusive em sua própria legenda, o PV, Marina defendeu que o Brasil não pode ficar refém dessa prática.
"Existe uma qualidade política neste País que não pode ficar refém disso", afirmou Marina, que destacou, entretanto, que não enquadra a maioria da classe política nesse comportamento. "Não estou dizendo que os membros do PV são perfeitos, assim como os do PSDB não são e do PT não são. Mas todos do PV não são imperfeitos. Do PSDB e do PT não são imperfeitos."
Marina afirmou que, quando o PV se comprometeu a recusar a legenda a quem for condenado em segunda instância, demonstrou que está disposto a combater a prática da corrpupção e do fisiologismo no País. "Acho que isto é um começo", declarou.
Religião
Evangélica, Marina negou que vá se aproveitar do fato para conquistar esse eleitorado na disputa presidencial de outubro. "Nunca fiz isso quando era católica nem vou fazer porque sou evangélica. Agora, as identidades vão aparecer", afirmou.
Marina argumentou, entretanto, que naturalmente também não vai trabalhar para evitar a identificação desses eleitores com sua candidatura. E garantiu que, principalmente, não vai satanizar seus adversários. "Eu não vou satanizar os outros candidatos, como já vi fazerem com o Lula", afirmou. "Esse tipo de discurso não condiz com minha atitude, com a visão de mundo que eu tenho."


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