

Procuradora Raquel Dodge
Os dias do ex-vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octávio parecem contados. Depoimento recheado de documentos sigilosos entregues à PF pela secretária do político, Marlene Schubert, e outro funcionário de PO, que ainda não teve o nome revelado, prometem acabar com o sossego do empresário, um dos caciques da construção civil, que se mantém afastado dos refletores desde a sua renúncia.
Apesar de ter chorado muito durante o depoimento, a secretária de PO não conseguiu resistir e abriu a Caixa de Pandora, linkando definitivamente Paulo Octávio a políticos e empresários de Brasília envolvidos no esquema do ex-govenador José Roberto Arruda, apontado como comandante do escândalo do DEMSALÃO. O depoimento, tomado em três vezes, foi acompanhado pela procuradora Raquel Dodge, que ficou estarrecida com o nível das informações. Raquel Dodge é sub-procuradora do Ministério Público Federal e responsável pelo processo Caixa de Pandora que culminou com a prisão do ex-governador Arruda e assessores, em 11 de fevereiro deste ano.
Raquel Dodge está debruçada sob uma pilha de documentos, alimentando-se apenas de sanduíche, para não ser atropelada por qualquer assunto que lhe tire o foco da Operação Caixa de Pandora. A procuradora prepara, às vésperas das Eleições, mandados de prisão e busca e apreensão em vários pontos de Brasília e outros Estados.

Abraço de afogado
As investigações da PF, que ainda correm em segredo, têm como alvo vários empresários e políticos que disputam a atual eleição. Fato confirmado e intrigante foi a compra de uma cobertura na Lagoa, bairro Classe AA, no Rio de Janeiro, por um empresário da construção civil envolvido no esquema de Pandora, cujo andar de baixo foi dado de presente a parente de um político de Brasília.
A Polícia Federal monitorou jornalistas, advogados e até procuradores usando a contra-inteligência. O ministro Fernando Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decretou a prisão de Arruda, autorizou escuta ambiente em seu gabinete e telefônica a fim de flagrar o ex-governador investindo com intenção de subornar a PF para minimizar sua atuação no esquema. Arruda não compareceu ao gabinete do ministro, porque foi informado de que havia uma operação para pegá-lo em flagrante. Mas outros políticos estiveram com Fernando Gonçalves a fim de tomar conhecimento do conteúdo do processo batizado de Caixa de Pandora.
A procuradora Raquel Dodge também foi monitorada em Brasília e em outros Estados onde esteve investigando o escândalo do Demsalão. Vários advogados “visitaram” a procuradora na tentativa de livrar seus clientes do processo, tentando diminuir as perdas que tais empresários vem amargando desde a explosão da Caixa de Pandora.
No decorrer das investigações mistérios aconteceram. Entre idas e vindas do processo Ministério Público x Polícia Federal, o volume 7 dos anais ficou desaparecido por dois dias. A procuradora Raquel Dodge deve analisar esta parte do processo com lupa para saber se não houve nenhuma troca de folhas.
A qualquer momento Brasília pode acordar com sirenes da polícia cumprindo mandados de prisão e/ou apreensão e busca nas residências e empresas de políticos e empresários da Capital Federal, principalmente os que disputam as eleições 2010.
Agora, o verdadeiro relatório está nas mãos de Luiz Fernando, diretor da Polícia Federal. O passo a passo das investigações da Operação Caixa de Pandora está todo ali, com vários ingredientes para novas explosões além dos limites do DF, atingindo outros estados da União. São monitoramentos telefônicos autorizados pela Justiça e sobras de investigações que serão juntadas a outros inquéritos em andamento




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